Resultados

Análise bioeconômica de azevém anual fertilizado com ureia e Nutrekit®

Análise bioeconômica de azevém anual fertilizado com ureia e Nutrekit®

Introdução

O nitrogênio é um dos principais nutrientes necessários à intensificação do uso das pastagens. É considerado o nutriente que mais limita a produção de massa seca de gramíneas forrageiras de clima temperado, sendo que a falta de N está entre os principais fatores que levam à degradação do sistema (MEDEIROS E NABINGER, 2001). Seguindo essa lógica, observa-se que o nitrogênio, nas suas diferentes formas de apresentação como fertilizante, é o principal nutriente aplicado nas pastagens, mesmo que na maioria das vezes, devido a seu custo, em doses inferiores as recomendadas.
Vários são os trabalhos que estudam a dinâmica do uso da adubação nitrogenada em azevém, espécie mais utilizada como forrageira de estação fria no sul do Brasil. Conforme Quatrin et al. (2015), a adubação com 100 kg de N/ha, é a dose máxima recomendada para a eficiente produção de forragem desta espécie, proporcionando maior carga animal instantânea e maior taxa de crescimento da pastagem. Todavia, outras formas de fertilização têm surgido, algumas das quais objetivam não só o aumento da produtividade da pastagem como, simultaneamente, a mineralização do rebanho, podendo-se citar dentre essas o complexo mineral Nutrekit®. Diante do exposto, o objetivo do trabalho foi avaliar a produtividade e o custo da fertilização de azevém submetido à aplicação de ureia e do complexo mineral Nutrekit®.
 

Revisão Bibliográfica

A produtividade das pastagens naturais no Estado do Rio Grande do Sul (RS) sofre influência direta do clima e do tipo de manejo ao qual são submetidas, sendo a utilização de pastagens cultivadas adaptadas a este ambiente, uma das alternativas para amenizar o vazio forrageiro no período frio do ano (OLIVEIRA et al., 2014). Neste contexto, o azevém é a planta forrageira de inverno mais utilizada no Rio Grande do Sul, assim como na maior parte das regiões temperadas e subtropicais do globo (BRESSOLIN, 2007). Esta espécie, apresenta grande potencial de produção de forragem e elevado valor nutritivo, além de tolerar bem o pisoteio e apresentar boa capacidade de rebrote (MÜLLER et al., 2009). Também possui grande facilidade de ressemeadura natural, resistência às doenças, bom potencial de produção de sementes e versatilidade de uso em associação com outras espécies (SANTOS et al., 2002). No que se refere à adubação, o nitrogênio é considerado o nutriente que mais limita a produção de massa seca de gramíneas forrageiras de clima temperado, sendo que sua falta está entre os principais fatores que levam à degradação do sistema (MEDEIROS E NABINGER, 2001). Considerando-se que o custo de implantação das pastagens é alto e, dependendo do nível de adubação nitrogenada, exige alto investimento pelo produtor, é necessário que os recursos sejam usados da maneira mais eficiente e racional possível. Assim, o manejo, a dose recomendada e a fonte de nitrogênio a ser utilizada têm grande importância no sucesso do investimento da adubação nitrogenada (RESTLE et. al., 2000). A fonte de nitrogênio mais difundida e usada no Brasil, principalmente no Sul do país, é a ureia. No entanto, pesquisas indicam perdas por volatilização de até 30,3% do N aplicado em pastagens de clima tropical. Outra fonte de nitrogênio disponível no mercado é o sulfato de amônio, esta, com perdas praticamente nulas, frequentemente menores que 1% do nitrogênio aplicado (ANJOS e TEDESCO,1976; RESTLE et. al., 2000). Mais recentemente surgiu no mercado o complexo mineral Nutrekit® (Nutrekit + Imantic). O mesmo, é um fertilizante foliar que possui em sua formulação macro e micro nutrientes e, promove na pastagem, maior produtividade e qualidade, além de proporcionar a mineralização do rebanho através do pasto (NUTREKIT, 2017). Porém, resultados de pesquisa com este produto ainda são escassos, principalmente quando em comparação com formas tradicionais de fertilização nitrogenada.

 

Materiais e Métodos

O experimento foi conduzido em casa de vegetação do DZ/FAEM/UFPEL, Capão do Leão, Rio Grande do Sul (31º45’48”S e 52º29’02”W), de julho a outubro de 2016. O solo utilizado foi coletado na camada de 0 a 20 cm de profundidade, sendo classificado como Argissolo Vermelho Amarelo eutrófico tipico (Unidade Camaquã). O mesmo foi acondicionado em vasos com capacidade de 2500g, adubado na base com o equivalente a 120 kg/ha de MAP e mantido em capacidade de campo.  Utilizou-se a cultivar de azevém anual (Lolium multiflorum) BRS Ponteio na densidade de 20 sementes/vaso. Ao aparecimento da primeira folha completamente expandida, foi realizado o raleio das plantas, permanecendo dez por vaso. Quando as plantas se encontravam em estádio vegetativo foram aplicados os tratamentos: UREIA- aplicação equivalente a 90Kg/ha de N (200Kg/ha de ureia) em dose única, NK1- uma aplicação do complexo mineral Nutrekit® (Nutrekit + Imantic) na dosagem equivalente a recomendada pelo fabricante e NK2-  duas aplicações de Nutrekit®. Uma quando as plantas estavam em estádio vegetativo e outra no início do estádio reprodutivo (mais de 50% das plantas alongadas). A ureia foi aplicada no solo diluída em água destilada, enquanto o Nutrekit® foi aplicado através de pulverização manual seguindo a diluição recomendada (100 litros de calda/ha). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com sete repetições. Foram realizados dois cortes (7cm de resíduo), ambos 15 dias após a aplicação dos tratamentos. O material foi seco a 55°C em estufa de circulação forçada de ar, sendo a massa de forragem total determinada pelo somatório da massa de forragem dos cortes. Antes de cada corte foram efetuadas medidas de clorofila A e B, utilizando-se o medidor clorofiLOG® (Falker), sendo o valor de clorofila determinados pela média dessas medidas. Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Duncan (P<0,05).
 

Resultados e Discussão

Não foram verificadas diferenças significativas (P>0,05) quanto à produtividade de forragem (g MS/vaso) entre a aplicação equivalente a 90 kg/ha de N, considerado tratamento testemunha, e uma e duas aplicações do complexo mineral Nutrekit® (Tabela 1). Ou seja, a aplicação de Nutrekit® promoveu produtividade semelhante àquela proporcionada pela adubação nitrogenada sob a forma de ureia, embora no presente estudo não se tenha utilizado a dose considerada de máxima eficiência para o azevém, 100 kg/ha de N (QUATRIN et al., 2015). Este resultado é interessante, sob o ponto de vista do custo de cada unidade de forragem a ser produzida. Considerando que a tonelada de ureia agrícola (45% de N) está cotada em, aproximadamente, R$ 1.200,00; o valor da adubação nitrogenada seria de R$ 240,00/ha. Por sua vez, com custo de R$ 970,00/embalagem (utilizada em 12 hectares de pastagens cultivadas) a aplicação de Nutrekit® custaria R$ 80,83/ha. Ou seja, o uso de ureia custaria, aproximadamente, três vezes mais que o uso de Nutrekit®. Em ambos os casos não foi considerado o custo de aplicação (trator, implementos, combustível e mão de obra). A ausência de diferenças entre uma e duas aplicações de Nutrekit®, pode estar relacionada ao momento fisiológico em que a segunda aplicação foi realizada, alongamento dos entrenós, já que as plantas haviam emitido todas suas folhas, principal componente da massa de forragem. O efeito do complexo mineral se daria então, prioritariamente, sobre a nutrição da semente, variável que não foi analisada no presente estudo. Neste caso, considerando como foco apenas a produção de forragem, uma segunda  aplicação de Nutrekit® após o alongamento dos entrenós seria desnecessária. Para os teores de clorofila (Tabela 1), a ausência de diferenças significativas entre os tratamentos (P>0,05) induz ao diagnóstico de semelhança no status proteico destes. Conforme Argenta et al. (2001), o teor de clorofila da folha se correlaciona positivamente com o teor de N na planta e com o rendimento das culturas. Relação atribuída, principalmente, ao fato de que 50 a 70% do N total das folhas ser integrante de enzimas que estão associadas aos cloroplastos. Neste sentido, Freitas et al. (2011) observou associação linear positiva entre os teores de proteína bruta e as leituras do medidor portátil de clorofila, concluindo que o equipamento pode ser utilizado para determinação da proteína bruta de plantas a campo em sistemas pastoris. Além de proporcionar o mesmo status de nitrogênio, de acordo com Nutrekit (2017), a aplicação do complexo mineral promoveria ainda melhoria da condição mineral da pastagem e dos animais que consumiriam a mesma, todavia esses aspectos não foram estudados no presente trabalho.
 

Conclusões

A utilização de uma aplicação de Nutrekit® proporcionou produtividade de forragem equivalente àquela proveniente da aplicação de 200 kg/ha de ureia, porém com menor custo/ha. A aplicação de uma segunda dose de Nutrekit® após o alongamento dos entrenós não se mostrou vantajosa. O status proteico da pastagem, medido pelo teor de clorofila, não se diferenciou entre os tratamentos.
 
 
Autores:
 
Otoniel Geter Lauz Ferreira¹, Pâmela Peres Farias², Otavio Luis Mendes Levien³, Olmar Antônio Denardin Costa4, Joice Rodal Gruppelli5, Luiza Padilha Nunes6, Rodrigo Chesini7, Tierri Nunes Pozada8
 
1 - DZ/FAEM/UFPEL
2 - PPGZ/FAEM/UFPEL
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5 - Curso de Zootecnia/FAEM/UFPEL
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Augusto de Lima Nessralla
Augusto de Lima Nessralla
Produtor e Pecuarista em Araxá, Minas Gerais.
"O Nutrekit trouxe resultados surpreendentes que ficaram acima da minha expectativa em meu experimento no Capim Braquiária MG5"

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